Levantamento mostra impactos na educação, no trabalho e na autonomia de jovens que engravidaram antes dos 19 anos
A gravidez durante a infância ou a adolescência provocou a interrupção dos estudos de 61% das jovens entrevistadas em uma pesquisa da organização Plan Brasil. Entre as mulheres que não passaram por uma gestação nessa fase da vida, o percentual foi de 33%.
O estudo “Marcas do Tempo: Gravidez na Infância ou Adolescência e seus Impactos na Vida de Mulheres no Brasil” ouviu mais de 1,5 mil mulheres com idades entre 19 e 29 anos, em todas as regiões do país. A pesquisa comparou as experiências de quem engravidou antes dos 19 anos com as de mulheres que não vivenciaram a maternidade nesse período.
Além dos reflexos na educação, 83% das entrevistadas que engravidaram precocemente relataram ter deixado um emprego ou perdido uma oportunidade profissional devido à necessidade de cuidar dos filhos. Outros 73% disseram ter enfrentado discriminação na família, na escola ou em serviços de saúde.
Casamento precoce e perda de autonomia
Conforme o levantamento, 59% das jovens que engravidaram antes dos 19 anos passaram a viver em casamento ou união após a primeira gestação. O estudo também identificou aumento de 19 pontos percentuais na possibilidade de casamento antes dos 16 anos entre esse grupo.
Entre as entrevistadas que engravidaram antes dos 14 anos, metade relatou não ter tido acesso à possibilidade de interrupção legal da gestação nos serviços de saúde. Pela legislação brasileira, relações sexuais com menores de 14 anos são enquadradas como estupro de vulnerável.
A pesquisa recomenda ações integradas, como educação sexual baseada em direitos, ampliação do acesso a métodos contraceptivos, oferta de creches em horários compatíveis com estudo e trabalho e políticas de primeiro emprego voltadas às jovens mães.
Com informações da Agência Brasil.



