Você pode investir anos na construção de um nome, mas, sem o registro, esse patrimônio pode estar mais vulnerável do que imagina.
Construir uma marca exige tempo, investimento e consistência. É preciso criar um nome, desenvolver uma identidade, conquistar clientes e fazer com que aquela marca passe a ser reconhecida no mercado. Mas existe uma etapa que muitas empresas deixam de lado: o registro da marca.
E é justamente aí que pode estar um dos maiores riscos para um negócio.
Ter uma empresa registrada, possuir um CNPJ ou utilizar determinado nome comercial há anos não significa, necessariamente, que você tenha exclusividade sobre aquela marca. No Brasil, a proteção da marca está diretamente relacionada ao seu registro junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
Na prática, isso significa que uma empresa pode passar anos construindo sua reputação e, posteriormente, descobrir que outra pessoa ou empresa registrou aquele nome antes.
O problema não está apenas na possibilidade de perder o direito de utilizar a marca. Uma mudança de nome pode representar custos com identidade visual, placas, embalagens, materiais de divulgação, redes sociais, domínio de site e, principalmente, a perda de parte do reconhecimento construído ao longo dos anos.
Imagine investir uma década para tornar sua empresa conhecida e, de repente, precisar explicar aos seus clientes que o nome pelo qual todos a conhecem não poderá mais ser utilizado. Por isso, o registro de uma marca não deve ser encarado apenas como uma formalidade burocrática. Ele é uma forma de proteger um ativo que pode se tornar um dos maiores patrimônios de uma empresa.
Outro ponto importante é que o registro não deve ser deixado para depois. Quanto mais uma marca cresce, maior tende a ser o investimento necessário para alterá-la. E quanto mais conhecida ela se torna, maior pode ser o impacto de uma disputa envolvendo seu nome.
Antes de investir ainda mais na divulgação da sua marca, vale fazer uma pergunta simples: ela está realmente protegida?
Registrar uma marca é, acima de tudo, proteger aquilo que você levou tempo para construir.
Porque uma empresa pode começar com uma ideia, crescer com muito trabalho e conquistar espaço no mercado. Mas, se a marca não estiver protegida, parte desse patrimônio pode continuar vulnerável.
No mundo dos negócios, não basta construir uma marca. É preciso garantir que ela possa continuar sendo sua.
Sobre a colunista: Camila Brunetto é advogada e especialista em Propriedade Intelectual, com atuação voltada à proteção de marcas e outros ativos intangíveis. É sócia da Marcauten Propriedade Intelectual, onde auxilia empresas e empreendedores a protegerem juridicamente suas marcas e criações.